domingo, 7 de junho de 2015

Rafael Bordalo Pinheiro


Rafael Bordalo Pinheiro tinha já uma sólida experiência gráfica quando se iniciou na cerâmica. Os primeiros trabalhos são pratos dedicados e faianças com caricaturas desenhados e por vezes pintados directamente pelo artista, oferecidos como prova de admiração ou em reconhecimento de um favor.
Mas a aventura cerâmica inicia-se verdadeiramente em 1884 com a fundação da Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha, da qual Bordalo Pinheiro foi director técnico e artístico durante cerca de 20 anos. A fábrica propunha-se produzir materiais de construção (tijolos, telhas e azulejos), louça artística e louça comum, estando dividida nos três respectivos sectores de produção.

Funcionava simultaneamente como uma fábrica-escola, reconhecida desde 1887 pelo Governo, e Bordalo empenhou-se seriamente na produção criando todos os modelos, motivos decorativos e técnicas das peças que seriam reproduzidas pelos operários. Se bem que enraizada numa tradição local, a produção da fábrica, foi modernizada e reinventada, contaminada por influências europeias resultantes das viagens efectuadas por Bordalo Pinheiro e seu irmão Feliciano a França, Inglaterra e Bélgica.
Caracteristicamente ecléctica e revivalismo como grande parte das artes decorativas do seu tempo, algumas peças foram concebidas especificamente para determinadas pessoas, assumindo a importância de exemplares únicos e inspiram-se nas formas rocaille ou renascença. Mas a cerâmica de Bordalo foi também permeável a influências e citações arte-nova, arts and crafts ou orientalizantes, sublinhadas por vezes por uma fina ironia e humor.
A obra cerâmica de Rafael Bordalo Pinheiro foi prolífico e variada e entronizou-se na tradição cerâmica das Caldas, tendo popularizado e reproduzido incessantemente peças inspiradas nos grandes pratos natureza-morta criados por Bordalo, as figuras de movimento ou de engonço ou o célebre Zé Povinho.

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